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segunda-feira, 19 de abril de 2010

CIRURGIA ORTOGNÁTICA

Fabiano Caetano Brites
Especialista em CTBMF

A cirurgia ortognática reúne uma série de procedimentos cirúrgicos com o objetivo de corrigir deformidades faciais, resultantes de algum mal posicionamento da arcadas dentárias e dos ossos da face, o que interfere em toda a estética da face e em dificuldades funcionais.
QUAL A CAUSA?
A falta e/ou excesso de cresimento mandibular ou maxilar é a principal delas. Quem nunca ouviu falar ou não possui um conhecido com o famoso "queixo de bruxa", ou "boca de caçapa"? Em outros casos, a falta de um desenvolvimento ósseo adequado faz com que o paciente apresente o que é descrito na literatura como "mandíbula de Noel Rosa" (queixo retraído). Estes são dois exemplos clássicos de como problemas combinados entre a maxila (maxilar superior) e a mandíbula (maxilar inferior) podem gerar grandes traumas psicológicos, além dos óbvios prejuízos estéticos e funcionais.



Prognatismo mandibular (imagem da web)

A falta de crescimento mandibular ou retrognatismo (mandíbula pequena) ou o excesso de crescimento da maxila (perfil de "bozó"), são exemplos de como deficiências de crescimento geram problemas que muitas vezes somente o procedimento cirúrgico é resolutivo. Outras causa menos comuns incluem síndromes, deficiência muscular, herança genética ou traumatismos na infância.

O diagnóstico e o planejamento cirúrgico são minuciosamente estudados previamente, em conjunto entre o cirurgião-dentista especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial e o ortodontista, que é quem normalmente toma o primeiro contato com estas desordens, que muitas vezes não logram resolução com o uso apenas de aparelhos ortodônticos.
EXISTEM RISCOS?
A técnica clássica, descrita pelo cirurgião austríaco Hugo Obwegeser nos anos 50, e melhorada com contribuições de cirurgiões ilustres como William Bell e Dalpont, vem sendo praticada com sucesso no Brasil há mais de 50 anos. Com a evolução da técnica, dos medicamentos e dos procedimentos de biossegurança, a cirurgia ortognática é hoje uma técnica extremamente segura, previsível e acessível. Os cuidados pós operatórios são simples, e com o advento da Fixação Interna Rígida por meio de Placas e Parafusos de Titânio, a recuperação é rápida e indolor. Como em qualquer cirurgia, todos os cuidados pré e pós-operatórios devem ser tomados no sentido de se minimizar ainda mais os riscos de um procedimento sob anestesia geral.
QUAIS OS RESULTADOS ESPERADOS?
Os benefícios da cirurgia incluem melhoras na mastigação e na fala, redução dos sintomas nas Articulações Temporomandibulares (DTMs), posicionamento lingual mais adequado, melhora na respiração e no posicionamento corporal, além da clara melhora no perfil e na estética faciais.

É uma cirurgia prazerosa para o profissional porque os resultados são notados rapidamente e porque também muda o aspecto emocional do paciente. Contudo, existem muitos médicos e até mesmo dentistas no país que desconhecem os benefícios da cirurgia.
QUAL A DIFERENÇA PARA UMA CIRURGIA PLÁSTICA?
A técnica provoca mudanças tão nítidas no rosto que chega a ser comparada com uma cirurgia plástica. A diferença é que o enfoque diagnóstico é dividido igualmente para a resolução da estética desfavorável e da função comprometida.

O cirurgião bucomaxilofacial usa seus conhecimentos de anatomia e função mastigatória para diagnosticar e abordar e individualmente cada caso. Isto inclui um longo tratamento antes e depois da cirurgia, envolvendo equipe multidisciplinar que pode incluir ortodontista, cirurgião, fisioterapeuta, fonoaudiólogo e psicólogo.
CONCLUSÕES
Mais do que desestabilizar a auto-estima, muitas vezes ocasionando falta de relacionamento social por medo de chacotas, estas alterações esqueléticas na face provocam graves problemas de função. O cirurgião-dentista vai definir aquele paciente cujos problemas são excessivos para a resolução apenas com aparelho dentário.
A cirurgia ortognática é um excelente método para trabalhar estes problemas, sendo uma técnica previsível e de resultados positivos para a estética, função e auto-estima.





Antes (imagem da web) e Depois (imagem da web)

Pesquisa, fotos e imagens de arquivo próprio e de blogs da internet.
















quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Câncer de Boca

Por: Fabiano Caetano Brites - especialista em Cirurgia Bucomaxilofacial

Admite-se que quanto mais grave for a alteração epitelial (camada mais externa dos tecidos) de uma lesão, maior será a possibilidade de transformação maligna. Entretanto, não existe como prever se displasias (anormalidades de desenvolvimento celular) leves ou graves progredirão para um carcinoma.

Portanto, fique atento aos sinais que podem identificar que alguma coisa não vai bem com sua boca: feridas na cavidade bucal, com 15 ou mais dias de evolução, que não cicatrizam, precisam ser melhor investigadas. Alterações de cor (particularmente brancas ou vermelhas), consistência, tamanho ou formato, sugerem alterações celulares que podem ou não evoluir para uma neoplasia maligna.

As lesões indolores, porém de longa evolução, são um sinal importante: o carcinoma quase nunca apresenta sinais dolorosos, apenas nos estágios muito avançados da doença. Portanto, dor não necessariamente é indicativo de câncer.

Pacientes maiores de 40 anos, tabagistas pesados (20 ou mais cigarros ao dia) e ou de longa duração (10 anos ou mais), alcoolistas crônicos (especialmente aqueles que ingerem destilados como uísque, vodka ou cachaça), que usam água muito quente no chimarrão ou que se expõem ao sol com frequência estão dentro do grupo de risco para o desenvolvimento da doença.


O cirurgião-dentista é o profissional que normalmente tem o primeiro contato com a doença, e deve estar preparado para diagnosticar ou encaminhar para o profissional que o faça. O termo “tumor”, muitas vezes mal empregado, não é sinônimo de câncer, mas sim de um crescimento anormal dos tecidos, assim como “cisto”. Portanto, não dê ouvidos aos leigos que, sem o conhecimento de causa, consideram qualquer lesão com crescimento exagerado como câncer.

Tumor ou neoplasia maligna só é assim considerado quando vier acompanhada por sinais e sintomas específicos identificados pelo cirurgião-dentista, como história clínica, ausência de limites na lesão, geralmente indolor e de crescimento lento e envolvimento de gânglios linfáticos. Mesmo com estes dados presentes, a lesão maligna só é confirmada após biópsia (exame que identifica, ao microscópio, as invasões de epitélio no tecido sadio), e deverá ser tratada por médico oncologista. Ao cirurgião-dentista cabe o exame clínico e diagnóstico.

Os termos “lesão”, “tumor”, “crescimento” e “biópsia” ainda hoje denotam terríveis conotações para o paciente. O dentista com empatia pode aliviar o paciente da ansiedade e frustração ao utilizar vocabulário adequado e cuidadoso durante a discussão de casa caso. É importante o dentista saber e lembrar ao paciente que a maioria das lesões encontradas nas regiões oral e maxilofacial é benigna, tendo completa resolução com o tratamento e o diagnóstico precoces.

Não tenha medo! Se tiver alguma dúvida a respeito da sua saúde bucal, consulte o cirurgião-dentista da sua confiança. Ele é o profissional que pode esclarecer suas dúvidas e sanar os seus problemas.