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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

BARBÁRIE OU AMOR ???


Há poucos dias fui abordada por uma amiga que se dizia horrorizada sobre o que havia acontecido com o menino David*, após ter-se submetido a procedimentos odontológicos, pois, certamente que a situação exigia, o menino foi medicado, obviamente com um sedativo ou narcótico.(* Vídeo apresentado pelo Youtube que pode ser observado neste Blog na barra de ferramentas ao l ado direito). O menino está visivelmente drogado no banco traseiro do carro, mas devidamente preso pelo cinto de segurança (Ponto para o Pai! ) enquanto é conduzido para casa.
Então essa amiga perguntou-me:
- Marta, você também faz essa barbaridade com as criancinhas?
Desconhecia o vídeo, motivo que levou-me a tomar conhecimento da "tal" barbárie que foi cometida pelo dentista.
Dei risada naquele momento, e disse que, se fosse necessário, eu sedaria sim a criança antes do procedimento. As pessoas estão acostumadas a ver apenas o lado "escabroso" da história que é contada pelas pessoas, clientes ou não. Não raro nós somos taxados de assassinos, de criminosos, de loucos quando alguma resposta orgânica do paciente foge ao nosso controle, ou mesmo as histórias contadas não tem nenhuma veracidade. Claro que sempre as pessoas vão falar "aquilo" que lhes convém. Ninguém procura a verdade dos fatos antes de condenar.
Mas isto não vem ao caso, neste momento.
Agora eu pergunto:
-Alguém condenou a mãe desta criança? (Como se houvesse a necessidade de condenar a alguém).
Bem, no mínimo a situação bucal estava extremamente complexa, o que requeria uma intervenção radical. Quando a criança não apresenta um bom comportamento, uma docilidade perante situações duvidosas, e que urge uma atuação rápida para evitar quadros dolorosos prolongados e sofrimento intenso à família, pode-se usar substâncias analgésicas narcóticas. www.imesc.sp.gov.br/infodrogas Estas provocam ausência de percepção ao estímulo da dor e induzem a um estado de alteração da consciência denominado "consciência estuporosa". Isso torna a criança mais maleável a um tratamento.
Também há calmantes sedativos como os barbitúricos http://http:/www.unifesp.br/dpsicobio/cebrid/quest_drogas/calmantes.htm (o principal grupo de calmantes e sedativos) que são capazes de deprimir várias áreas do nosso cérebro; como conseqüência as pessoas podem ficar mais sonolentas, sentindo-se menos tensas, com uma sensação de calma e de relaxamento. As capacidades de raciocínio e de concentração ficam também afetadas. Com dosagens um pouco maiores do que as recomendadas pelos médicos, a pessoa começa a sentir-se como que embriagada (sensação mais ou menos semelhante a de tomar bebidas alcoólicas em excesso): a fala fica "pastosa", a pessoa pode sentir-se com dificuldade de andar, apresentar tonturas e sonolência.
O David, do vídeo, estava mais menos assim. Eu, particularmente, já tratei canal de dois dentinhos de leite ântero-superiores de um bebê de um ano e seis meses. Pasmem! É muita maldade (Pura ignorância???) uma mãe deixar os dentes de seu filho chegarem a este estado. O tratamento, é claro, foi abaixo de gritaria, com a mãe e o pai segurando a criança, situação muito estressante para todos, mesmo que a criança não sentisse mais dor por estar anestesiada localmente. É uma situação que poderia ter sido evitada! Mas se a criança é maior, às vezes é impossível segurá-la na cadeira, e precisa de recursos adicionais para o o seu manuseio.
Não culpem o profissional que foi obrigado a tomar medidas radicais para buscar a solução para a dor, mas a situação que permitiu que a doença surgisse e aumentasse em proporções, culpem o descaso de muitos pais em não cuidar do que dão de comer a seus filhos. Conheço muitas crianças que nunca bebem água em suas casas, porque lá só entram refrigerantes. Como podemos ver, as transformações sofridas pelo mundo levam ao consumo exagerado de substâncias cada vez menos saudáveis e cariogênicas. Se as pessoas não tiverem conhecimentos ou o mínimo de discernimento sobre o que é bom e o que é mau para a saúde, as crianças sofrerão, mas os adultos pagarão um alto "preço". Ninguém pergunta a um bebê, o qual deve fazer aquela bateria de vacinas, se ele quer ou não fazer uma injeção; simplesmente o fazem porque é uma questão de sobrevivência para ele. Assim tem que ser com a saúde bucal:
Tem que escovar os dentes da criança, faça-o por ela quatro vezes ao dia, precisa beber água, faça-a beber toda a hora; precisa comer alimentos fibrosos, diversificados e saudáveis, obrigue-a, com carinho!
Com amor a gente consegue!
Ou não tenha os filhos se não puderes conduzí-los pela mão até que possam caminhar com suas pernas.
Um abraço!
Marta Predebon, CD
Especialista em OFM
Delegada do CRO na Fronteira Oeste

sábado, 14 de fevereiro de 2009

A FONOAUDIOLOGIA NO RESPIRADOR BUCAL



A Fonoaudiologia é a ciência que trata dos problemas da fala, linguagem e audição. Além disso, tem como objetivo o restabelecimento das funções respiratórias, mastigatórias, atos de deglutição e fala, visando o equilíbrio miofuncional. O trabalho do fonoaudiólogo visa sobretudo prevenir, habilitar ou reabilitar estas funções. Entre as funções estomatognáticas, a respiração exerce função vital, além de propiciar o desenvolvimento e crescimento crânio-facial. Todos nós sabemos que a respiração deve ser nasal, mas nem sempre isso é possível devido a alguns impedimentos. O número de pessoas que respira pela boca vem aumentando e os danos causados pela respiração oral são tantos que vêm preocupando os profissionais da área da saúde. Podemos observar que este problema não mais compete apenas ao alergista e otorrinolaringologista, mas sim ao dentista ortopedista, fonoaudiólogo, fisioterapeuta e professor. É importante interceptar a presença da respiração oral tão logo seja percebido o processo, encaminhando o paciente, sempre que possível, para o tratamento multidisciplinar. Sendo assim, acredito ser muito importante estarmos atentos às características do respirador oral. São elas:

· Face alongada, caracterizada pelo aumento da altura nariz-mento;

· Olheiras devido à diminuição da drenagem linfática;

· Asas do nariz hipodesenvolvidas;

· Mau hálito;

· Sono é agitado, baba e ronca;

· É sonolento, apresenta, muitas vezes, déficit de atenção, concentração e dificuldade de aprendizagem devido à falta de oxigenação no cérebro;

· Apresenta rendimento físico diminuído;

· É inapetente, porque o ato de se alimentar gera esforço e cansaço;

· Prefere líquidos e pastosos, porque não requerem trabalho mastigatório;

· Na criança, a respiração oral reduz o estímulo de crescimento do terço médio da face, levando à formação de palato em ogiva, hipodesenvolvimento lateral da arcada dentária superior, com conseqüente aumento ântero-posterior da mesma e protrusão dos dentes;

· Postura corporal incorreta;

Os efeitos da respiração oral são bastante nocivos e podem deixar seqüelas na musculatura e nas funções estomatognáticas. A musculatura dos lábios, língua e bochechas torna-se hipotônica e por isso, essas estruturas funcionarão de maneira inadequada e menos eficiente nas funções de mastigação, deglutição e fala. Às vezes, a mastigação pode apresentar-se unilateral, o que pode causar mordidas cruzadas; a deglutição será atípica, isto é, com projeção de língua entre as arcadas dentárias; a fala poderá estar alterada devido à hipotonia dos órgãos fonoarticulatórios e ao posicionamento incorreto de língua. Nestes casos, o tratamento fonoaudiológico tem como objetivo, principalmente, a conscientização por parte da família da necessidade da adequação da respiração. Em um segundo momento, o trabalho muscular necessário será realizado através de exercícios que adequarão a tonicidade e postura dos órgãos fonoarticulatórios, além de adequar as funções de mastigação, deglutição e fala. A terapia irá restabelecer a respiração nasal nos pacientes que estejam em tratamento com alergista ou otorrino. É importante ressaltar que alguns pacientes pós-tratamento, que não apresentam mais impedimento orgânico para a respiração nasal, mas continuam sendo respiradores orais (respiração oral viciosa), também deverão realizar terapia fonoaudiológica a fim de aprenderem a utilizar o nariz para respirar. Acima de tudo, é preciso compreender e acreditar que é possível modificar um hábito, mas esta mudança não pode ser feita da noite para o dia. Ela vai depender de muito esforço e dedicação de ambas as partes: paciente e terapeuta. Desta maneira, pode ser revertido o quadro da respiração oral possibilitando melhores condições de vida futura.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

MAMADEIRA ESPECIAL X PEITO

Atualmente, sabe-se que o principal método para a extração do leite do peito é através de movimentos de ordenha, e que nenhum bico de borracha ainda conseguiu realizá-lo, e a gravidade continua sendo indispensável para que aleitamento na mamadeira continue.
Movimentos de pistão da mandíbula (sobe e desce) foram verificados na maioria dos casos, mas infelizmente estes movimentos não trabalham a musculatura de uma forma correta , equilibrada e adequada :
Não resultam em crescimento mandibular melhor interrelacionando as bases ósseas da maxila e da mandíbula.Não esculpem corretamente a cavidade articular. Não tonificam os ligamentos e a cápsula articular que envolvem a articulação têmporo-mandibular. Não trabalham corretamente os músculos mastigadores principalmente o pterigoideo lateral. Segundo Inoue (1995) a atividade do músculo masseter na mamadeira é bem reduzida em relação a atividade do mesmo no peito.
A sucção (pressão negativa intra-oral) da mamadeira hipertonifica o bucinador, que desta forma irá comprimir e impedir o desenvolvimento das arcadas dentárias no sentido lateral e diminuir a tonicidade lingual, devido a falta de movimentos vigorosos para a condução do leite, ficando hipotônica (contribuindo assim para anular outro estímulo para o alargamento das arcadas dentárias).
Além disso, o posicionamento da língua na mamadeira é baixo e posteriorizado, com o dorso muito elevado e sem tonicidade para elevar as bordas, em formato de concha. Com isso a língua fica hipotônica, pesada, com a ponta baixa e longe da papila incisiva .
Tal hipotonia leva a função e a postura inadequadas que perturbarão o crescimento do sistema maxilo-mandibular por falta de pressão correta sobre as arcadas e sobre o palato (a língua ajuda a “esculpir” o formato do palato duro).
Outro fator importante é que a língua hipotônica não terá sustentação muscular para permanecer anteriorizada e fora da orofaringe. Com isso, dá-se uma diminuição do espaço orofaringeano e consequentemente dificuldade respiratória, podendo também propiciar ronco e apnéia obstrutiva do sono .
Todo o processo do aleitamento na mamadeira, gira em torno 5 a 10 minutos. Para os padrões normais do aleitamento materno, a média é de 15 minutos para cada peito( na realidade , com livre demanda, a amamentação não é controlada pelo tempo). Desta forma, a necessidade fisiológica e neurológica do sugar também está comprometida na mamadeira.
Como já citamos ,o impulso neural de sucção na criança é muito intenso ( colocado no abdomem da mãe ele engatinha até o peito e mama)e na mamadeira este impulso não será satisfeito gerando necessidade de sugar paralela. Essa criança apresentará hábitos orais sugando antes o dedo , depois o lábio inferior , a bochecha ou mesmo a língua.
Acreditamos que comparando as dinâmicas musculares, absolutamente diferentes da ordenha e na sucção da mamadeira, podemos sugerir, repetindo a WABA: promova, proteja, apoie a amamentação! Assim estaremos cuidando do mais indefeso dos consumidores e investindo numa geração futura saudável e feliz .